1º ao 5° Ano

     

    Assumir o desenvolvimento integral da criança e se comprometer com ele não é uma tarefa só de professores, mas de toda a comunidade escolar. A entrada das crianças de seis anos no Ensino Fundamental se faz em um contexto bem favorável, pois nunca se falou tanto da infância como se fala hoje. Os reflexos desse olhar podem ser percebidos em vários contextos da sociedade. No entanto, infelizmente, quando as crianças chegam a essa etapa de ensino, ainda é comum ouvir a frase: “Agora a brincadeira acabou!”

    O desafio para o Balão Mágico é aprender sobre e com as crianças, por meio de suas diferentes linguagens. E, nesse sentido, a brincadeira se torna essencial, pois nela estão presentes as múltiplas formas de ver e interpretar o mundo. A brincadeira é, sem sombra de dúvida, a responsável por muitas aprendizagens. Através dela a criança expressa suas emoções e formas de ver e significar o mundo, espaços e tempos que favorecem a construção de sua autonomia.

    Os desafios que envolvem o momento da entrada no Ensino Fundamental são muitos. Precisamos estar preparados para criar espaços de trocas e aprendizagens significativas, onde as crianças possam viver a experiência de um ensino rico em afetividade e descobertas.

    As novas descobertas e aprendizagens não devem se resumir a uma repetição das práticas metodológicas vivenciadas na Educação Infantil e nem a uma continuação dos conteúdos.

    As crianças de hoje possuem modos próprios de compreender o mundo e interagir com ele, cabe a nós, professores, favorecer a criação de um ambiente escolar onde a infância possa ser vivida em toda a sua plenitude sem deixar de lado a responsabilidade do ensinar as disciplinas exigidas na Base Nacional Comum. Mas, para um total sucesso nessa fase tão importante da vida dos nossos pequenos, objetivos bem estruturados têm que ser estabelecidos. Eis os nossos:

     

    Objetivos do Ensino Fundamental:

     

    •             Expressar-se em diferentes situações. Em caráter privado, ou seja, com a família e os amigos, ou em público, na apresentação de um trabalho em classe ou numa solenidade escolar.

    •             Saber expressar-se de diferentes maneiras. Ou seja, usar a linguagem adequada a cada ambiente: a coloquial, em situações de intimidade; ou a formal, que utiliza a norma culta (valorizada socialmente), em situações cerimoniosas. Numa entrevista para obter emprego, as expressões usadas são diferentes das de um “papo de bar”.

    •             Conhecer e respeitar as variedades linguísticas do português falado. O aluno deve entender que em um país grande e de culturas variadas como o Brasil existem sotaques, expressões regionais e maneires diferentes de falar – como o linguajar paulista, o carioca, o baiano e o gaúcho. Nenhum está certo ou errado. Eles são apenas diferentes.

    •             Saber distinguir e compreender o que dizem diferentes gêneros de texto. Uma bula de remédio, um bilhete da namorada ou um anúncio de carro têm intenções, estilos e vocabulários muito diferentes entre si.

    •             Entender que a leitura pode ser uma fonte de informações, de prazer e de conhecimento. Ela dá acesso às informações necessárias para o dia-a-dia e aos mundos criados pela literatura e pelas ciências. O aluno deve saber, ainda, como recorrer a diferentes materiais impressos para atender a necessidades específicas. Para obter informações sobre um filme, usa-se o jornal. Para achar o significado de uma palavra desconhecida, o indicado é o dicionário. Para uma pesquisa de História, consulta-se enciclopédias.

    •             Ser capaz de identificar os pontos mais relevantes de um texto, organizar notas sobre texto, fazer roteiros, resumos, índices e esquemas. Com base em trechos extraídos de fontes diferentes, o aluno deve saber compor um novo texto coerente. Em resumo, transformar a linguagem em um instrumento de aprendizagem, que lhe dê acesso e meios para usar as informações contidas nos textos que lê.

    •             Expressar seus sentimentos, experiências, ideias e opções individuais. E também ser capaz de ouvir, interpretar e refletir sobre as ideias de outros, sabendo contrapor-lhes as próprias ideias. Quando descreve, em classe, um fato ocorrido na rua, o aluno está treinando tal habilidade.

    •             Ser capaz de identificar e analisar criticamente o uso da língua como instrumento de divulgação, etnia, gênero, credo ou classe. É o que ocorre nas piadas consideradas “inocentes”  sobre portugueses, judeus, baianos ou negros. No entanto, refletir sobre o real significado preconceituoso delas pode gerar uma interessante atividade em classe.